Curiosidades - Ponte 25 de Abril.

Foto da praça da portagem da ponte 25 de Abril (Salazar na altura) em 1966. De referir que o pagamento era feito no sentido Lisboa - Almada ao contrário do que é feito hoje e contava apenas com 5 cabines de pagamento.

Fotos

E se derrepente Lisboa ficasse vazia durante 100 anos? Sem ninguem? Este é o aspecto que teria a nossa capital e a ponte 25 de abril.
Ponte 25 de Abril 100 anos
A ponte de Ervedal é uma ponte pênsil localizada em Ervedal concelho de Avis.
Com projecto de autoria do Prof. Eng. Edgar Cardoso, elaborado em 1957 tendo a obra sido concluída no início da Década de 60.
O ponte original tinha o tabuleiro em madeira de pinho. Tendo sido projectada para uma vida útil de 10 anos. Esteve em funcionamento perto de 40 anos.
Foi reparada em 1998 com uma estrutura metálica, tendo sido reforçada e aumentada substancialmente a sua capacidade.
Diz as gentes da região por graça, que se trata de uma maquete da Ponte 25 de Abril dadas as semelhanças.
Diário de Noticias, Domingo, 7 de Agosto de 1966
"A maior obra pública até hoje realizada em Portugal
sobre a estrada do passado o grande símbolo do futuro
INAUGURADA A PONTE SALAZAR."


Diário Popular, Sábado, 6 de Agosto de 1966
"UM DIA HISTÓRICO
Inaugurou-se a Ponte"
Aqui fica a capa do Programa das Comemorações da Inauguração da Ponte Sobre o Tejo em Lisboa, entregue aos convidados.


Sábado, dia 6

10,30 horas – Cerimónia da inauguração da Ponte
13,00 horas – Chegada do Cortejo que acompanha Sua Excelência o Chefe do Estado à Praça Afonso de Albuquerque e desfile em frente ao Palácio de Belém.

A ponte ficará aberta ao tráfego a partir das 13,30 horas

00,30 horas – Fogo de artificio no rio e nas colinas da margem sul.

Domingo, dia 7

09,00 horas – Regatas de remo e vela, provas de natação na área compreendida entre a
Ponte e a doca de recreio em Belém, Porto Brandão e Trafaria.
10,00 horas – Missa campal no Santuário de Cristo-Rei
19,30 horas – Tourada de gala na Praça Carlos Relvas, em Setúbal.
21,30 horas – Iluminações Públicas e arraiais em Lisboa, Setúbal e Almada.
Câmara Municipal de Lisboa
Medalha de Ouro de Gratidão
Aqui fica a foto do teste de carga que foi feito antes da abertura da Ponte 25 de Abril ao trânsito. O referido teste serviu para ver até que ponto a Ponte aguentava com o peso.

     
Bilhete da Portagem da Ponte Salazar (actual Ponte 25 de Abril) de 1973.
Foto da troca do nome de Ponte de Salazar para Ponte 25 de Abril em 1974.
O actor publicou um texto a gozar com a Ponte 25 de Abril, sete meses depois da inauguração. A PIDE arquivou o recorte que saiu na Semana Portuguesa nº 180, de 4 a 10 de Março de 1967. Texto de Raul Solnado “Outro dia fui atravessar a ponte. Era para não ir porque eu não me posso estar a meter em cavalarias altas, mas tanto me disseram tanto me falaram tanto me gabaram a ponte que eu assim que recebi a gratificação de Natal, fui. E não se pode dizer que eu ficasse desapontado, mas afinal aquilo não é o que eu pensava. Em primeiro lugar eu ouvi dizer que eles estavam todos muito contentes porque só levaram três anos a fazer a ponte, e que portanto tinham feito um recorde. Recorde uma bolota! Levam 3 anos a pôr uns ferrinhos para cima, dizem que é recorde e ficam todos vaidosos. E ainda por cima é mentira, porque inauguraram a ponte sem estar a obra acabada. Deixaram-lhe uns buraquinhos no chão, que ainda não taparam e uns buracos de lado que se calhar nunca mais tapam e nem tecto puseram. Quer dizer: além da corrente do rio, aquilo está cheio de corrente de ar. Enfim, isso é lá com eles, eu não sou engenheiro e muito menos americano, portanto eles que se entendam lá uns com os outros porque eu não tenho obrigação de lhes estar a lembrar coisas que a gente está mesmo a ver. Bem, o que interessa é que eu fui então por uma estrada toda aos caracóis que se chama estrada dos sucessos da ponte e andei ali, mais de meia hora às voltas, que até senti tonturas: isto foi para começar! Depois lá consegui chegar à entrada da ponte onde há uma casinha que tem lá dentro um senhor fardado que está ali a pedir dinheiro para as obras da ponte. O que eu achei esquisito é que aquilo tem um letreiro que diz “portagem”, o que eu acho que está errado porque “portagem” devia ser na ponte do Porto. Ali devia ser “almagem”, porque a casinha fica em Almada, ou “pagagem” porque é onde se paga, ou então “garagem” já que é para automóveis! Bem então lá dei os 20$00 e fiquei na espera, porque pensei que por aquele dinheiro eles forneciam os automóveis e, claro, embora mesmo assim não fosse barato, a gente sempre ficava com o carro e dava ela por ela. Mas não. A gente paga aquele dinheiro todo e eles não dão nada. Nem há música nem um filme, nem ao menos uma cerveja. Nada! Nem recibo! Por aquela exorbitância, ao menos podiam ter feito uma escada de caracol para as pessoas virem cá abaixo chapinhar na água! E o pior é que maçl se apanham com o dinheiro na mão e passamos a casinha para entrar na ponte fica logo tudo proibido. É proibido buzinar, é proibido cuspir, não se podem atirar fora as pontas de cigarros e temos que engolir as “beatas”, é proibido guinar para a esquerda, mas para a direita também é, não se pode andar devagar mas depressa também não, e nem sequer se pode olhar para os barquinhos! Parece um convento! Calculem que nem se pode parar no caso da gente precisar fazer qualquer coisa… enfim… resolver qualquer aperto! E se fazermos alguma coisa que os policiais da ponte não achem graça, eles multam e ainda pontificam! Eu acho que quando só havia barcos era muito melhor. A gente pagava muito mais barato e punha as “beatas” onde a gente queria, cuspia-se que até dava gosto e ao menos sempre era um passeio de barco que se dava! E ainda por cima com uma vantagem muito grande! O tempo que se esperava na bicha para entrar no barco era um tempo que se podia aproveitar para ir passando férias. Pois! Mas eu é que já descobri como é que hei-de ir a Cacilhas de borla. Vou pela ponte de Sangtarém, que já não se paga, gasto os vinte escudos em melões de Almeirim, venho por ali abaixo e posso chegar a Cacilhas a muito boas horas de apanhar o barco para Lisboa. Não estou para que me aconteça o que aconteceu a um rapaz que eu conheço. Passou a ponte para lá e agora, coitadinho, está há mais de um mês a lavar pratos num restaurante a ver se consegue dinheiro para voltar para Lisboa. Livra! A mim é que já não me apanham! (in Século Ilustrado) Este documento foi encontrado pela SÁBADO nas duas pastas da PIDE com o nome do actor, que a SÁBADO consultou no Arquivo Nacional da Torre do Tombo Raul Solnado foi à ponte